Por Joel Soares
"Concentrar o discurso na crise ambiental é uma boa estratégia para países do primeiro mundo,
grandes beneficiários e divulgadores do atual modelo predatório de desenvolvimento.
É como se o discurso ambiental fosse uma espécie de cortina de fumaça
para despistar a atenção da opinião pública para a insustentabilidade do modelo,
evitando serem acusados como vilões da humanidade. "
O próprio conceito de países de primeiro, segundo e terceiro mundo já revela uma falsa ideologia, quando sugere uma corrida pelo desenvolvimento, onde os melhores chegaram primeiro e cabe aos demais seguir os mesmos passos. Essa visão é irreal, pois pressupõe que o planeta e a ciência serão capazes de fornecer matérias primas, absorver resíduos e encontrar soluções para os problemas do crescimento indefinidamente. Esconde o fato de que, na hipótese de todos alcançarem um mesmo padrão de consumo dos países chamados de ‘primeiro’ mundo serão precisos diversos planetas Terra de recursos naturais.
As conseqüências dessa corrida’ por um tipo de progresso insustentável não vai acabar com o planeta no futuro. Já está fazendo isso no presente. Um exemplo disso, está na maciça extinção de espécies e ecossistema, efeito estufa, ‘buraco’ na camada de ozônio, mortes prematuras nas cidades devido às poluições do ar, água, solo, etc. O planeta está acabando em cada um desses lugares, onde este tipo de progresso deixa desertos atrás de si e muita miséria, fome e mortes prematuras.
Aos países pobres ou em desenvolvimento não são oferecidas alternativas de desenvolvimento, muito pelo contrário. A atual corrida só legitima um processo que já os exclui pela impossibilidade de haver recursos naturais para todos no futuro, enquanto acena com uma promessa que não pode ser realizada.
Concentrar o discurso na crise ambiental é uma boa estratégia para países do primeiro mundo, grandes beneficiários e divulgadores do atual modelo predatório de desenvolvimento. É como se o discurso ambiental fosse uma espécie de cortina de fumaça para despistar a atenção da opinião pública para a insustentabilidade do modelo, evitando serem acusados como vilões da humanidade.
Neste cenário, está claro que os líderes, do chamado ‘primeiro’ mundo, não são os melhores porta-vozes de um novo modelo de desenvolvimento, que leve em conta não só os problemas ambientais mais também os sócio-econômicos. Neste aspecto, o papel das lideranças governamentais e não-governamentais em países pobres e em desenvolvimento assume uma dimensão desafiadora, para que não se repitam os erros cometidos até aqui.
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